Reflexão R. C. Sproul – Da Morte para a Vida Espiritual

Dentre os livros da Série Questões Cruciais do R. C. Sproul, o volume de número doze é chamado de “Quem é o Espírito Santo?”, e é uma reflexão deste livro que quero compartilhar com vocês hoje.

Robert Charles Sproul é um Teólogo calvinista, ministro presbiteriano e autor de mais de sessenta livros. Conheça mais sobre ele aqui.

DA MORTE PARA A VIDA ESPIRITUAL

É muito importante que tenhamos um entendimento exato da obra do Espírito Santo no renascimento espiritual. Uma das melhores passagens em que podemos obter esse entendimento é o capítulo 2 da carta de Paulo aos cristãos de Éfeso. Nesta passagem, lemos:

  • Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus (Efésios 2:1-6)

A linguagem e o cenário que o apóstolo usa, neste texto, estão relacionados a vida e morte. Ele declara que os cristãos receberam “vida”. Mas, se agora eles estão vivos, o que eram antes? Eram “mortos em delitos e pecados”. Portanto, o apóstolo está falando sobre algum tipo de ressurreição, uma transformação de pessoas mortas, que são trazidas a uma nova vida.

Precisamos entender o tipo de morte focalizada nesta passagem. Paulo não está falando sobre a morte física. As pessoas que foram vivificadas pelo Espírito Santo eram “espécimes biológicas que estavam vivas e respiravam”, antes desta experiência. Antes de eu me tornar um cristão, meu coração estava batendo, meus pulmões se enchiam e se esvaziavam e meu cérebro estava ativo (embora, às vezes, meus professores duvidassem). Mas eu estava espiritualmente morto. Estava morto para as coisas de Deus, porque eu existia única e totalmente no que Jesus e os apóstolos chamam de “a carne”.

Em sua conversa com Nicodemos, depois de Jesus haver explicado que ninguém pode entrar no reino de Deus se não for nascido da água e do Espírito, ele prosseguiu e disse: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito” (João 3:6-8).

Aqui, Jesus fez distinção entre o poder do Espírito Santo e o poder da carne humana. Ele disse: “O que é nascido da carne é carne”. Estava falando de pessoas, e não apenas dizendo que os seres humanos são nascidos com corpos físicos, mas também que eles nascem caídos. Isto significa que eles não têm vida espiritual; em vez disso, nascem espiritualmente mortos.

Talvez não haja, na Escritura Sagrada, algo mais repugnante para o homem moderno do que esta afirmação de que todo ser humano é nascido em um estado de morte espiritual. Esta ideia é repugnante até para o cristianismo nominal. A maioria dos que professam ser cristãos reconhecem que há algum defeito na raça humana, que todos somos pecadores e nenhum de nós é perfeito. Mas, nem mesmo um entre cem cristãos crê, realente, que todo ser humano já é espiritualmente morto, quando vem ao mundo. Até mesmo Billy Graham costumava falar sobre o homem natural como moralmente enfermo, até ao ponto 99% morto, mas não chegaria a 100%. Tão prevalecente é a rejeição desta ideia, que alguns dos principais porta-vozes do cristianismo estão prontos a contradizê-las. Eles não aceitam a ideia da morte espiritual completa.

No entanto, isto é o que Paulo está dizendo com clareza. Já nascemos espiritualmente mortos – não apenas fracos, doentes, criticamente enfermos ou em coma. Não há pulsação espiritual, nenhuma respiração espiritual, nenhuma onda cerebral espiritual. Somos espiritualmente natimortos e assim permanecemos, a menos que Deus, o Espírito, nos vivifique.

Este livro não possui uma versão completa para leitura online, mas vale a pena adquiri-lo através do site da Editora Fiel.

Grande Abraço!

 

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