Reflexão de John MacArthur Jr. – Não provoque os filhos à ira

Como compartilhei com vocês anteriormente, o livro “Como educar seus filhos segundo a Bíblia” tem nos feito pensar muito sobre nossas atitudes como pais, e estas páginas que redigi são para que você também possa refletir sobre o ensino de não provocarmos nossos filhos à ira.

John MacArthur é um forte defensor da pregação expositiva, um dispensacionalista e um calvinista. Conheça mais sobre o autor do livro aqui.

Desejo que você possa absolver muito conhecimento nesta leitura, e que através da misericórdia de Deus, você possa alcançar a graça de colocar estes ensinos em prática.

Não provoque os filhos à ira

“Pais, não provoqueis vossos filhos à ira”, Paulo escreve. Este é um aviso, um alerta de advertência para que os pais não provoquem a ira de seus filhos, seja deliberadamente, seja por descuido, mas por meio de provocações desnecessárias.
Há ocasiões, é claro, em que os filhos ficam pecaminosamente revoltados com os pais a despeito de qualquer provocação. A pecaminosidade, imaturidade ou comportamento inadequado dos filhos pode ser a causa da ira. Nesses casos, é o filho que está pecando.
Mas há outras ocasiões em que os pais são culpados de provocar a ira de seus filhos quando os ofendem sem consideração alguma, deliberadamente os magoam, os abandonam insensivelmente, ou os exasperam por qualquer tipo de meio intencional ou involuntário. Quando isso acontece, são os pais que estão pecando – e levando os filhos a pecar.Lembre-se de que os nossos filhos têm o dever, perante Deus, de nos honrar. Assim, quando os pais provocam os filhos à ira, estão fazendo com que eles violem o Quinto Mandamento. Nesses casos, os pais são culpados perante Deus não apenas por desobedecer a Efésios 6:4, mas são duplamente culpados por fazer os filhos tropeçar. Este é um pecado extremamente destrutivo.

img_20120315_170501Os pais cristãos que incitam seus filhos à ira, ou falham em educá-los na disciplina e admoestação do Senhor, perdem todos os benefícios de uma família distintivamente cristã. Virtualmente nenhum ambiente é mais prejudicial a uma criança do que uma família nominalmente cristã, cujos pais invocam o nome do Senhor, mas negligenciam a tarefa de fornecer-lhes amorosamente a adequada disciplina e admoestação. Muitos filhos de tais famílias ditas “cristãs” terminam hostilizando mais as coisas do Senhor do que os filhos que cresceram em ambientes absolutamente pagãos. Os pais cristãos que negligenciarem Efésios 6:4 colherão o que semearem – dor e desgosto iguais ou superiores ao das famílias mundanas.
A palavra grega traduzida por “provocar” é parorgizo, que significa “irritar” ou “enfurecer”. Pode designar uma rebelião aberta, ou referir-se a uma fúria interior e a um tormento secreto latente. Os dois tipos de ira são geralmente percebidos em filhos cujos pais os provocaram.
Como os pais irritam os filhos? Há várias maneiras de fazer isto. Seguem-se algumas das mais comuns.

Superproteção

Você pode provocar seus à ira protegendo-os demais. Sufocando-os. Jamais confiando neles. Sempre assumindo que eles não estão falando a verdade. Nunca lhes dando oportunidade de desenvolver a independência. Essa conduta fará com que eles desenvolvam a sensação de estarem asfixiados e derrotados.
Este é um perigo característico do mundo atual. Os pais certamente precisam proteger seus filhos, em especial num ambiente com tantos riscos. Quando eu era criança, podia vagar livremente pelas redondezas. Podia pegar minha bicicleta e passear à vontade com relativa segurança. Infelizmente, o mundo hoje é muito mais perigoso do que era na época da minha infância, e muitos pais vivem em bairros onde realmente não podem dar tanta liberdade aos filhos.
Mas a superproteção também é um perigo. Você lembra de Labão no Antigo Testamento? Ele era um pai superprotetor e dominador. Foi desonesto com Jacó, fazendo-o casar com Lia, sua filha mais velha, embora Jacó amasse Raquel, a filha mais nova. Depois Labão permitiu que Jacó casasse com Raquel também, em troca da promessa de que ficaria e trabalharia para o sogro por mais sete anos (Gn 29:26). Quando chegou a hora de Jacó partir, Labão implorou para que ele ficasse (Gn 30:25-27). Sua paternidade superprotetora, e sua subsequente intromissão na vida do genro, custou a suas filhas em casamento infeliz.
Ironicamente, a despeito da intromissão superprotetora de Labão na vida de suas filhas, a avaliação que elas faziam do pai não era de alguém que as amava verdadeiramente. Elas achavam que o pai as considerava estrangeiras e havia consumido toda a herança que era delas por direito (Gn 31:14-17). O que Labão, sem dúvida, acreditava ser a expressão do seu amor paterno, se opôs a ele, como demonstração de que ele verdadeiramente não as amava.
Pais que sufocam os filhos com superproteção frequentemente pensam que estão agindo em benefício dos filhos. Mas essa não passa de uma forma segura de levar os filhos à ira. A superproteção comunica falta de confiança no filho. Os filhos sob exagerada proteção de seus pais começam a desesperar-se porque nunca obtêm a confiança de seus pais. Podem até mesmo concluir que o modo como se comportam não faz a menor diferença. Regras e restrições sem privilégios tornam-se uma prisão asfixiante. Muitos que não conseguem permanecer sob esse confinamento acabam rebelando-se.
Os filhos precisam de algum grau de liberdade e independência para poderem crescer, aprender e cometer seus próprios erros. Eles nunca aprenderão a assumir responsabilidades se não receberem algum grau de liberdade. Mães que amarram os filhos na barra da saia estão apenas fomentando ressentimentos. E pais que se recusam a dar aos filhos folga para respirar os irritarão exatamente como Efésios 6:4 proíbe.

Superindulgência

O outro lado da moeda da superproteção é a superindulgência. Pais excessivamente permissivos – que não corrigem seus filhos – têm grande probabilidade de provocar-lhes ira tanto quanto aqueles que os sufocam.
Estudos comprovam que os filhos que recebem muita liberdade começam a sentir-se inseguros e não amados. E como não? As Escrituras dizem claramente: “O que retém a vara aborrece a seu filho” (Pv 13:24). Pais que não corrigem ou até elogiam filhos mal comportados estão na verdade demonstrando falta de amor. É de surpreender que os filhos percebam isso e fiquem irritados?
Há muitos anos, nossa sociedade tem estimulado atitudes cada vez mais permissivas com relação aos filhos. Estamos agora colhendo uma geração inteira de jovens revoltados.

Favoritismo

Um terceiro modo certeiro de provocar a ira em nossos filhos é demonstrar favoritismo entre irmãos. Isaque favoreceu Esaú e não Jacó, e Rebeca preferiu Jacó a Esaú (Gn 25:28). Você lembra da terrível agonia que essa família viveu? Esaú e Jacó tornaram-se rivais rancorosos. Jacó repetidamente usou de trapaças e fraudes para tentar roubar de seus irmão a bênção paterna. Ele fez com que Esaú caísse em uma armadilha e perdesse seu direito de primogenitura, e finalmente enganou o pai, com a ajuda de Rebeca, de modo que ele lhe entregasse a bênção que por direito pertencia a Esaú. A tensão resultante literalmente dividiu a família, e Jacó teve de fugir da ira de seu irmão (Gn 27).
Apesar disso, a tendência de favorecer filhos em relação a outros irmãos continuou na geração seguinte. O filho mais amado de Jacó era José, a quem ele favoreceu com uma capa multicolorida. Isso provocou tanto ciúmes nos outros irmãos que eles conspiraram para matar José. Em vez de matar o irmão, entretanto, acabaram vendendo José como escravo. E então outra geração da família se dividiu. Embora Deus em última instância tivesse usado isso para o bem, o favoritismo propriamente dito, e todo ciúme que provocou, foram inteiramente malignos, e produziram muitos frutos maus.
Não cometa o erro de favorecer um filho. Não dê presentes ou privilégios a um que você deixa de dar ao outro. Nem mesmo faça comparações entre seus filhos. Não diga jamais: “Por que você não consegue ser como seu irmão?” Não use as virtudes ou os talentos de um filho como parâmetro para avaliar o desempenho do outro. Não há nada mais humilhante para um filho do que ser rebaixado ou desprezado por uma comparação cruel com um irmão ou um colega de classe.
Você quer realmente destruir uma criança? Basta fazê-la sentir-se inferior a todos os outros familiares. Retrate-a como a ovelha negra da família. Você imporá sobre seu filho um terrível senso de frustração, e será culpado de torna-lo um filho rebelde.

Metas Irreais

Muitos pais provocam seus filhos à ira pressionando-os constantemente a obter sucesso. Pressione seu filho a alcançar metas que você mesmo nunca alcançou, e você o destruirá.
É certamente responsabilidade de todo o pai estimular seus filhos e prepara-los para que alcancem níveis de realização cada vez mais elevados. Em 1 Tessalonicenses 2:11-12, o apóstolo Paulo lembrou aos tessalonicenses sua preocupação paternal por eles: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, aconselhamos e admoestamos.” As exortações e admoestações certamente têm seu papel na tarefa de educar nossos filhos, mas note que elas devem ser equilibradas com incentivo amoroso. Pais que apenas pressionam os filhos a conseguir mais, sem confortá-los em seus fracassos, estão incitando o ressentimento dos filhos.
Pressione seus filhos a obter metas irrealistas ou irrealizáveis, e você tirará deles qualquer senso de realização. Quando meus filhos eram jovens e participavam de esportes organizados, parecia que todo time em que eles jogavam tinha pelo menos um garoto, cujo pai o criticava a tal ponto que o fazia temer desesperadamente o fracasso e então não jogar de acordo com todo o seu potencial. Conheci muitos pais que mantinham uma pressão impiedosa sobre seus filhos para que eles alcançassem notas escolares cada vez mais Elevadas. A maioria desses pais é motivada por puro egoísmo. Eles apenas estão tentando realizar coisas que não conseguiram fazer quando eram crianças. É uma carga injusta para colocar sobre qualquer filho.
Uma linda adolescente que conheci foi literalmente conduzida à insanidade pela pressão que seus pais impuseram sobre ela. Visitei-a em uma cela, onde ela permanecia em estado catatônico, sem nenhum movimento, a não ser um constante tremor. Ela fora uma estudante de notas excelentes, líder de torcida e uma princesa de seu lar. Mas isso nunca foi o bastante para seus pais. Sua mãe, em particular, a mantinha sob constante pressão para conseguir mais, ter melhor aparência e agir de forma diferente. Tudo o que ela fazia era motivo para sua mãe comentar como ela poderia ter feito melhor. Sob tanta pressão, ela finalmente explodiu. Depois de várias semanas de descanso e tratamento médico, ela se recuperou a ponto de deixar a internação. Finalmente, foi enviada de volta para casa – diretamente para a panela de pressão em que a mãe dela havia transformado sua vida familiar. Pouco tempo depois ela se suicidou. Por quê? Suas palavras para mim um pouco antes de seu colapso final foram: “Não importa o que eu faça, isso nunca satisfaz minha mãe.” Pode acreditar em mim, essa jovem conseguiu ir muito além do que sua mãe jamais conseguiria, mas a mãe estava tentando viver suas próprias fantasias por meio da filha. Que tragédia! Ela incitou em sua filha o desejo de autodestruição.

Desestímulo

Da mesma forma, você pode provocar a ira de seu filho desestimulando-o. Lembre-se do versículo paralelo em Colossenses 3:21, que diz: “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados” (grifo meu). Evitar o desânimo é a força propulsora deste mandamento.child-abuse

Os pais provocam os filhos à ira quando os criticam constantemente, mas nunca os recompensam, nunca elogiam suas realizações, e nunca lhes permitem desfrutar de deus próprios sucessos. Um filho que percebe nunca obter a aprovação dos pais logo desistirá completamente de persegui-la. Talvez não haja maneira mais rápida de provocar a ira de seus filhos do que por meio do desestímulo incessante.
Isso é fácil de fazer. Enfatize sempre o que eles fazem de errado, e nunca perceba o que eles fazem direito. Repare sempre em suas falhas, mas nunca diga nada sobre seus pontos fortes. Ignore seus dons e talentos naturais, e insista nas coisas em que eles não são bons. Duvide da capacidade deles constantemente.

Eu tinha uma regra simples na educação de meus filhos: Cada vez que eu apontava algo que estava errado, tentava equilibrar rapidamente a balança apontando algo que eles tinham feito corretamente. Nem sempre era fácil (“Eu gosto da maneira como você organiza sua gaveta”). Mas um pai amoroso sempre descobre alguma coisa como fonte de estímulo. E todos os filhos respondem bem ao incentivo e à aprovação.
Sei muito bem como as crianças se sentem no tocante a este ponto. Quando eu era pequeno, centenas de vezes me sentei à mesa sem derrubar uma gota de leite sequer, mas ninguém jamais reparou nisto. No entanto, na única vez que derramei um copo de leite, isso não passou despercebido. Pais, façam questão de notar quando seus filhos agem corretamente, tanto ou mais do que quando você percebe algo errado.
Haim Ginott escreveu: “Uma criança aprende o que ela vive. Se ela vive com crítica, não aprende responsabilidade. Aprende a condenar a si mesmo e a encontrar falhas nos outros. Aprende a duvidar do seu próprio julgamento, a menosprezar sua própria habilidade e a desconfiar das intenções dos outros. E, acima de tudo, aprende a viver com a contínua expectativa da condenação iminente.” Eduque seu filho desta maneira, e você certamente provocará sua ira.

Desprezo

Outra maneira de provocar seus filhos à ira é pelo desprezo. Em lugar demonstrar afeto, demonstre indiferença. Não se interesse por aquilo que os interessa. Não se preocupe com as necessidades deles. Você certamente despertará a ira de seus filhos.
O clássico exemplo bíblico de uma criança desprezada é Absalão. Embora Davi não fosse de forma alguma indiferente a seu filho (2Sm 18:33), ele tratava com indiferença, e Absalão cresceu desprezando a figura paterna. Ele assassinou o próprio irmão (2Sm 13:28-29). Deliberadamente minou a autoridade real de Davi (2Sm 15:1-6). Conspirou pela queda do pai (2Sm 15:10). Violou as esposas de Davi à presença de todo o Israel (2Sm 16:22). Quando o copo de iniquidade transbordou devido à negligência de Davi, a desgraça incluiu rebelião, guerra civil e, finalmente, a morte de Absalão.
Muitos pais transmitem desprezo semelhante tratando seus filhos como intrusos ou desmancha-prazeres. Muitas crianças ouvem ao acaso pais dizerem coisas como: “Bem, adoraríamos ir com você, Albert, mas temos as crianças. E não conseguimos encontrar ninguém para ficar com elas. É isso o tempo todo.” Se você quer exasperar seus filhos, simplesmente faça-os sentir indesejados. Faça-os sentir como se estivessem atrapalhando outras coisas que você gostaria de fazer. Aja como se ressentisse por causa deles, e eles se ressentirão por sua causa.
Fiz um acordo com meus filhos, Matt e Mark, quando eles estavam crescendo. Eu ia aos jogos deles, e eles compareciam aos meus sermões. Funcionou muito bem. Eu não os desprezava, e eles não me desprezavam.
Eu tinha um amigo no ministério que viajava por todo o país para dar palestras a grupos de jovens. Ele ficava muito tempo fora, e entre os compromissos e palestras, frequentemente permanecia em casa um ou dois dias. Em uma dessas estadias em casa, ele ouviu casualmente o filho menor conversando com um vizinho:
“Ei”, o garoto perguntou ao amigo, “você quer brincar de pega-pega?”.
“Não”, foi a resposta. “Vou brincar de pega-pega com o meu pai.”
Então meu amigo ouviu o filho responder: “Ah, meu pai não tem tempo para brincar comigo. Ele está muito ocupado brincando com os filhos dos outros.”
Meu amigo sabiamente fez algumas mudanças em seu ministério de modo que tivesse mais tempo para passar com o filho.
Dentre muitos outros, o desprezo é o pior tipo de abuso infantil. Nossas ruas e cidades estão repletas de crianças desprezadas, e no final das contas todas elas estão revoltadas. Seus pais são os principais responsáveis por essa situação.

Condescendência

Você provocará seus filhos à ira caso se recuse a permitir que eles cresçam. Se você os humilha ou ri deles quando eles dizem coisas inocentes ou imaturas; se você constantemente faz comentários negativos a respeito de seu comportamento; ou se você os reprime cada vez que eles tentam fazer algo que você acha que é muito adulto para eles, nunca os estimulará a crescer, e na verdade estará reforçando a imaturidade.
O apóstolo Paulo disse: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino” (1Co 13:11). Este é o curso natural do processo de amadurecimento. Os pais devem estimular seus filhos nessa busca, e não apagar o entusiasmo dos filhos pelo crescimento. Não os trate com condescendência; estimule seu crescimento. Deixe-os cometer alguns erros sem ter de enfrentar críticas severas.
Quando meu filho Matt tinha uns três anos de idade, jogou meu relógio dentro do vaso sanitário e puxou a descarga. Eu perguntei: “Por que você fez isso?”
Ele olhou para mim solenemente. “Apenas queria ver o relógio afundando”, ele disse.
Você acha que eu o castiguei severamente? Não. Em seu lugar, também eu iria gostar de ter visto o relógio afundando. Lembrei-me dos meus tempos de criança.
Algumas vezes as crianças dizem coisas infantis e engraçadas, e é natural que os pais riam dessa situação. Mas tenha cuidado de não magoar seu filho. Não ria na cara dele. Não faça pouco de sua imaturidade. Se você quiser rir, é melhor rir depois. Enquanto seu filho engatinha no processo de amadurecimento, dê a ele incentivo, apoio e confiança. Permita que ele expresse suas ideias ridículas. Deixe-o experimentar pensar por si mesmos. De outra forma, você o desanimará e irritará exatamente na maneira que o apóstolo Paulo adverte os pais a não fazer.

Amor Condicional

Não use o afeto como uma ferramenta de recompensa e castigo. Eu me arrepio quando ouço alguém dizer ao filho: “Mamãe não vai mais gostar de você, se você fizer isso.” Algumas vezes os pais agem assim inconscientemente, mas tal comportamento sugere que eles dediquem menos atenção à criança quando ela desobedece. Eles podem enviar essa mesma mensagem subliminar quando elogiam os filhos com palavras como: “Boa garota. Mamãe ama você quando você se comporta tão bem.”
As escrituras dizem que o amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba” (1 Cor 13:7-8). O verdadeiro amor não varia com base nas conquistas ou fracassos do objeto amado. O amor de Deus por nós diminui quando nós falhamos com ele? De forma alguma. Na verdade, “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Em outras palavras, a maior expressão do amor de Deus por nós foi que ele sacrificou seu amado Filhos para expiar nossos pecados e reconciliar-nos com ele, enquanto ainda vivíamos em estado de absoluta inimizade contra ele (v. 10).
Os pais precisam servir-se desse modelo e, assim, demonstrar amor a seus filhos. Ameaçar diminuir nosso amor quando eles se comportam mal anula o próprio amor e provoca nossos filhos à ira.

Disciplina Excessiva

Castigos muito severos são outro meio seguro de provocar os filhos à ira. Alguns pais parecem ter a opinião de que, se a disciplina é boa para os filhos, a abundância de disciplina deve ser realmente boa. Eles levam os filhos com rédea curta, mantendo a ameaça de castigo corporal sobre sua cabeça como uma espada de Dâmocles.
Tal comportamento não passa de brutalidade. O pai que impõe sua superioridade – seja física, psíquica ou verbal – pode devastar o espírito de uma criança. Isto é fácil para os adultos, porque eles são fisicamente, intelectualmente e verbalmente muito mais dotados do que uma criança. Mas os pais que tratam crianças pequenas dessa maneira colherão tempestades quando os filhos chegarem à adolescência. Filhos que foram ameaçados crescerão com uma tendência à maldade, porque sua ira foi provocada pela própria maldade dos pais.
Fico impressionado com a frequência com que alguns pais usam palavras ofensivas ao repreender os filhos. Eles dizem coisas a seus filhos que nunca diriam a nenhuma outra pessoa – coisas que esmagam o coração de uma criança sensível e incitam a ira de qualquer filho.
As Escrituras dizem que Deus sempre disciplina seus filhos em amor (Hb 12:5-7). O escritor de Hebreus parece saber que os pais humanos têm propensão a disciplinar seus filhos de maneira caprichosa ou instável: “Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então, viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes de sua santidade” (vs 9,10).
Infelizmente, os pais humanos algumas vezes tendem a disciplinar os filhos de maneira egoísta ou impulsiva, mas a disciplina de Deus é sempre para o nosso bem. Os pais cristãos devem esforçar-se por fazer do interesse dos filhos o objetivo de todo ato de disciplina. Se fizermos isso, minimizaremos o risco de perturbá-los e exaspera-los desnecessariamente.
Portanto, este é o lado negativo das instruções de Paulo aos pais: Não exasperem seus filhos E qual é o lado positivo? “Criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4).

(Trecho do livro “Como Educar os Seus Filhos Segundo a Bíblia” de John MacArthur, Jr. Páginas 112 a 120).

Ensino precioso é aquele que não foge da palavra de Deus, ela é tudo, é essência de tudo que necessitamos nesta vida. Se você tiver a oportunidade de adquirir este livro, posso garantir que será um investimento magnífico no que diz respeito a um ensino verdadeiro.

Que Deus os abençoe!

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